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Quanto Cobrar pelo Seu Serviço: Guia de Precificação para Autônomos

Equipe OrcaZap 8 Fev 2026 14 min de leitura
Quanto Cobrar pelo Seu Serviço: Guia de Precificação para Autônomos

O problema da precificação para autônomos

"Quanto você cobra?" — essa é a pergunta que mais causa ansiedade em profissionais autônomos. Cobrar pouco demais significa trabalhar muito e ganhar pouco. Cobrar caro demais significa perder clientes para a concorrência. O equilíbrio parece impossível.

Mas não é. Precificação é ciência, não adivinhação. Existe uma lógica por trás de cada preço, e quando você entende essa lógica, a ansiedade desaparece. Você sabe exatamente quanto cobrar, por que cobrar e como justificar.

O maior erro que profissionais autônomos cometem é precificar pelo "feeling" — olham o que o vizinho cobra, tiram um número da cabeça e torcem para dar certo. Isso é como dirigir de olhos fechados.

Neste guia, você vai aprender 3 métodos de precificação que funcionam para qualquer profissão, desde pedreiro até designer gráfico. Escolha o que faz mais sentido para o seu negócio.

Método 1: Precificação por custo + margem

Este é o método mais seguro e recomendado para quem está começando. A lógica é simples: calcule todos os seus custos e adicione uma margem de lucro.

Passo 1: Liste seus custos fixos mensais - DAS MEI: R$ 75 - Transporte/combustível: R$ 400 - Telefone/internet: R$ 150 - Ferramentas/manutenção: R$ 200 - Alimentação (dias de trabalho): R$ 500 - Reserva para imprevistos (10%): R$ 130 - Total: R$ 1.455/mês

Passo 2: Calcule suas horas produtivas Dias úteis por mês: 22 Horas por dia (produtivas): 6 Total: 132 horas/mês

Atenção: "horas produtivas" são as horas em que você está efetivamente executando serviços que geram receita. Deslocamento, orçamentos, compras e administração não contam.

Passo 3: Calcule seu custo/hora R$ 1.455 ÷ 132 = R$ 11,02/hora

Esse é o MÍNIMO que você precisa cobrar para cobrir seus custos. Abaixo disso, você está pagando para trabalhar.

Passo 4: Adicione sua margem Margem recomendada: 40-60% para serviços R$ 11,02 × 1,5 = R$ 16,53/hora

Passo 5: Calcule o preço do serviço Estime as horas necessárias e multiplique. Exemplo: Pintura de quarto (8 horas) = R$ 16,53 × 8 = R$ 132 + materiais

Esse método garante que você nunca terá prejuízo. Mas pode resultar em preços abaixo do mercado se seus custos forem baixos. Por isso, sempre compare com o Método 2.

Método 2: Precificação por valor de mercado

Este método usa o preço praticado pelo mercado como referência. É mais simples, mas exige pesquisa.

Como pesquisar preços de mercado:

1. Peça orçamento para 3-5 concorrentes (sim, é ético) 2. Pesquise no Google: "quanto custa [seu serviço] em [sua cidade]" 3. Consulte tabelas de sindicatos e associações 4. Pergunte em grupos de WhatsApp da sua profissão 5. Use sites como Habitissimo, GetNinjas e similares

Tabela de referência de preços por profissão (2026):

- Pedreiro: R$ 250-500/dia ou R$ 35-70/m² - Pintor: R$ 25-50/m² - Eletricista: R$ 80-200/ponto - Encanador: R$ 100-300/serviço - Marceneiro: R$ 800-3.000/móvel - Diarista: R$ 150-300/diária - Personal Trainer: R$ 80-200/aula - Designer Gráfico: R$ 500-3.000/logo - Fotógrafo: R$ 500-3.000/ensaio - Professor Particular: R$ 50-200/hora

Importante: esses valores variam muito por região. São Paulo é 30-50% mais caro que cidades do interior. Capitais do Nordeste ficam entre os dois extremos.

Como se posicionar: - Abaixo da média: atrai volume, mas pode parecer "barato demais" (desconfiança) - Na média: seguro, competitivo, mas sem diferencial - Acima da média: exige posicionamento premium (portfólio, garantia, atendimento)

Recomendação: comece na média e suba gradualmente conforme constrói reputação e portfólio.

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Método 3: Precificação por valor percebido

Este é o método mais avançado e lucrativo. Em vez de calcular custos ou copiar a concorrência, você precifica pelo valor que o serviço gera para o cliente.

Exemplo prático: Um designer gráfico cria uma identidade visual para uma clínica odontológica. O custo dele (horas + software) é R$ 500. O mercado cobra R$ 2.000. Mas a clínica vai usar essa identidade visual por 5-10 anos, em fachada, cartões, uniformes, redes sociais. O impacto no faturamento da clínica pode ser de R$ 50.000+ ao longo dos anos.

Cobrar R$ 5.000 por essa identidade visual é justo? Absolutamente. É 10% do valor que ela vai gerar.

Como aplicar precificação por valor:

1. Entenda o impacto do seu serviço no negócio/vida do cliente 2. Quantifique esse impacto em reais quando possível 3. Cobre uma fração desse valor (10-20%)

Exemplos por profissão: - Eletricista que instala sistema de energia solar: a economia mensal do cliente é R$ 500. Em 5 anos: R$ 30.000. Cobrar R$ 5.000 pela instalação é 16% do valor gerado. - Personal trainer que ajuda o cliente a perder 20kg: quanto vale a saúde? Quanto o cliente gastaria em remédios? O valor percebido é muito maior que R$ 100/aula. - Fotógrafo de casamento: as fotos são para a vida toda. O valor emocional é incalculável.

Este método funciona melhor para profissionais experientes com portfólio sólido. Se você está começando, use o Método 1 ou 2 e migre gradualmente para o Método 3.

Quando e como aumentar seus preços

Muitos profissionais mantêm o mesmo preço por anos por medo de perder clientes. Isso é um erro. A inflação corrói seu poder de compra, seus custos sobem e sua experiência aumenta. Não reajustar é aceitar ganhar menos a cada ano.

Quando aumentar: - A cada 6-12 meses (mínimo) - Quando sua agenda estiver 80%+ ocupada - Após investir em qualificação (curso, certificação) - Quando comprar equipamentos melhores - Quando a demanda superar sua capacidade

Como aumentar sem perder clientes:

1. Avise com antecedência: "A partir de março, meus valores serão reajustados em 15%. Clientes atuais mantêm o preço atual até abril."

2. Adicione valor junto com o aumento: "Estou aumentando de R$ 300 para R$ 350, mas agora incluo garantia de 6 meses (antes eram 3)."

3. Aumente para novos clientes primeiro: Mantenha o preço antigo para clientes recorrentes por 2-3 meses. Novos clientes já entram no preço novo.

4. Nunca peça desculpas: Não diga "infelizmente preciso aumentar". Diga "a partir de [data], meus valores serão atualizados para refletir [melhoria X]".

Quanto aumentar: - Reajuste anual mínimo: inflação (IPCA) + 5% - Reajuste por qualificação: 15-30% - Reajuste por demanda alta: 10-20%

Lembre-se: se nenhum cliente reclamar do seu preço, você está cobrando barato demais.

Apresente seus preços com confiança

De nada adianta calcular o preço perfeito se você não souber apresentá-lo. A forma como você comunica o preço influencia diretamente na percepção do cliente.

Regras de ouro para apresentar preços:

1. Nunca diga o preço primeiro. Antes do preço, explique o valor. "Vou fazer X, Y e Z, com garantia de W meses. O investimento é R$ XXX." O cliente precisa entender o que está recebendo antes de ouvir o número.

2. Use a palavra 'investimento'. "O investimento para este projeto é R$ 2.000" soa melhor que "o preço é R$ 2.000".

3. Ofereça opções. Sempre apresente 2-3 opções. O cliente deixa de pensar "compro ou não compro" e passa a pensar "qual opção escolho". Isso aumenta a taxa de fechamento.

4. Quebre o valor. "R$ 1.200" parece muito. "R$ 40 por dia durante o mês" parece pouco. É o mesmo valor.

5. Tenha o preço por escrito. Nunca dê preço só verbalmente. Envie uma proposta formal. Isso mostra profissionalismo e evita o "mas você tinha falado outro valor".

A OrcaZap ajuda exatamente nisso: gera propostas profissionais em segundos, com preços apresentados da forma correta — discriminados, organizados e com opções para o cliente escolher. Teste grátis e veja a diferença na reação dos seus clientes.

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